terça-feira, abril 14, 2009

Bombons

Mentiria se dissesse que não estava ansioso para distribuir aquelas simples demonstrações de que eu me importava com as pessoas que me rodeavam: bombons. São um tanto interessantes. Independente de uma pessoa gostar ou não de chocolate, o que sempre é levado em conta – imagino eu – é o gesto de dar o bombom, que é amável. Imagino que os bombons que daria aos meus amigos serviriam como uma maneira de mostrar que a minha falta de comunicação com eles, geralmente resultado de minha timidez ou meu jeito introspectivo, não significava que não me importava com eles.

De uma maneira ou de outra, minha ansiedade não estava atribuída ao fato que daria aos meus amigos vários bombons, em forma de Páscoa atrasada. Quando se dá coisas para várias pessoas em forma de presente, você sempre espera que uma determinada pessoa reconheça o gesto, o que às vezes acontece, às vezes não, talvez por ingenuidade da pessoa que recebeu, mas não há nenhum problema quanto a isso. E eu, como qualquer um, queria agradar alguém em especial, além de todos os meus amigos. Não sei se iria de fato agradar, ou seria apenas um gesto que passaria batido, mas não custava nada tentar. A atenção que tanto almejava dela talvez se voltasse para mim por algum tempo, com tudo isso. Acredito que um bombom no meu caso era um pedido de atenção em forma de doce. Droga, não sirvo pra conquistar a atenção de quem eu mais quero.

Quando finalmente pude lhes entregar, vi os bombons indo um por um para as mãos de cada amigo que me rodeava. Então, de maneira involuntária procurei o bombom ideal e entreguei justamente nas mãos da pessoa que eu gostaria de agradar, e nada disse. Tinha muito que dizer, mas no final deixei o bombom cumprir o seu papel, mesmo que ela não chegasse a entender. No final, pareceu algo bem mais banal do que eu gostaria que fosse, talvez por toda aquela gente que acabou tornando os bombons algo insignificante demais. Talvez ela tenha recebido vários outros bombons, e mais um já não faça nenhuma diferença. Ou ainda algo vindo de mim não signifique nada pra ela. Não posso dizer que não valeu a pena, entretanto. Agradar pessoas com presentes ou bombons não faz o meu estilo, mas a oportunidade proporcionou a tentativa.

Agora, escrevendo este texto, já não me importo mais necessariamente com o que possa ter significado tudo isso pra ela. Me importo mais com o que tudo representou pra mim, mas isto, talvez, ela nunca vá compreender.