Uma homenagem - Companheiros
Pedro, João e Luís sentavam a beira do rio. Um fato realmente peculiar. João era amigo de Luís e Pedro, melhores amigos que ele podia ter. Luís era pacífico, mas não se dava bem com Pedro, mas não expressava isso. Pedro não gostava de nem sequer falar com Luís, mas sempre andava com João. Consequentemente, eram os três companheiros, conhecidos por toda a cidade que moravam, mesmo com alguns desentendimentos. João e Luís eram dois vagabundos, não queriam nada para suas vidas além de uma esposa, uma casa, e uma morte feliz. Pedro era estudado, tinha uma vida boa, tinha várias mulheres, mas não pensava em casar. Embora isso, Pedro não hesitava em ficar a beira do rio com um vagabundo como João.
- Porra, João. Tô com fome. Por que não arranja alguma coisa pra gente comer?
- Pega você, só tu tá com fome aqui.
Luís raramente se intrometia nas conversas de João e Pedro, quando o fazia, era grosseiramente respondido por Luís.
- Amigos, não briguemos. Vamos todos comer, esta é a melhor solução, com fome ou não. - Disse Luís, ainda deitado na beira do rio, com os olhos fechados.
- Puta que pariu! Mas tô afim que alguém traga a comida pra mim.
João levantou-se, cutucou Luís para que fizesse o mesmo. Foram andando pela estrada, sem falar nada.
- Porra! Vocês são foda mesmo, tenho que ir atrás de vocês pra comer alguma coisa!
- Estamos indo comer alguma coisa na lanchonete do Zé aqui perto, se não quiser vir, não venha, coma as moscas que rodeiam o riacho - Disse Luís.
Pedro levantou-se e seguiu-os, bradando palavrões.
Mais tarde, estavam voltando para o rio. Encontraram uma belíssima moça. Pedro logo tentou cantá-la, falhou miseravelmente.
- Oi, bonitinha. Tem colher? - Perguntou Pedro, com um ar superior.
- Hã?
- Não tem? Não tá vendo que tô te dando sopa?
- Não entendi. Por favor, me dê licença.
Pedro saiu de perto rapidamente, com a falha de sua cantada.
João sentiu a oportunidade tinha chegado, ia conseguir o coração daquela moça. Luís não queria qualquer tipo de mulher, ele queria apenas a que pudesse ser sua esposa, portanto, não corria atrás de mulheres como fazia João e Pedro, despediu-se de Pedro, e foi para casa.
Dias depois, a mesma mulher tinha-se tornado namorada de João. Pedro não admitiu tal traição, roubara uma mulher que era para ser dele, inadmissível.
Certa noite, João e Luís iam voltando para casa, depois de terem passado no bar. Pedro esperava por eles, na ponte, com uma espingarda.
- Essa noite foi boa. Né Luís? Hoje vou dormir feliz! Hahahahaha...
- Foi uma noite ótima.
Chegaram a ponte, Pedro os aguardava.
- Filho da puta! Roubou minha mulher! Vai pagar por isso! - Pedro bradou e atirou na perna esquerda de João.
- Filho da... Por que? Nossa amizade não importa nada? Me diga!
- O amor é mais importante que qualquer amizade!
Luís, com suas habilidades assassinas, sacou uma faca, que guardava a muito, dado pelo seu pai, avançou para Pedro, cortou-lhe superficialmente o estômago. Levou um tiro no braço, largou a faca.
Os dois agonizavam, Pedro ria triunfante, até que João pegou a faca de Luís, lançou-a em Pedro, pegou bem no estômago, perto do corte superficial. Agora, os três agonizavam no chão. Ficaram lá a noite toda.
Pela manhã, os três acordaram.
- Vamos lá cuidar desses ferimentos, amigos. - Disse Luís.
- Filho da puta... Isso é pra você aprender a não se meter comigo... - Disse Pedro, rindo.
- Eu pago uma rodada pra gente, lá no bar, depois. Vamos. - Disse João, por fim.
Os três andavam em direção ao horizonte, João mancando, Luís andando bem lentamente, Pedro se agarrou em João. Eram os três companheiros.
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