domingo, outubro 14, 2007

Retorno

Oi. Muito tempo sem atualizar o blog. Mas como só duas pessoas lêem esse blog, não fará a mínima diferença eu me explicar porque eu estava sem atualizar. Só leiam o conto e comentem. Obrigado.

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O velho dava seus últimos suspiros na cama de sua casa, rodeado por sua família.
- Se eu não tivesse começado a fumar... Não estaria nessa situação. Jamais fumem, meus netos.
As crianças choravam. Os adultos tentavam esconder a tristeza. Então, ele fechou os olhos e morreu.
O velho sentia sua alma vagar pelos corredores do além. Uma voz ecoou nesse espaço.
- Morreste fumando, maldito. Lembras do dia que começaste tal vício? Se não tivesse pegado aquele cigarro... Agora já é tarde, falhaste como ser humano. Veja teu amigo, José. Ele nunca fumou. E viveu. Te darei uma segunda chance, caso impeça sua morte, você estará de volta para o seu leito de morte, saudável e principalmente, vivo. Voltarás no dia que pegaste no cigarro, e não o fará de novo.

O velho não se sentia mais velho. Estava num corpo jovem de treze anos, estava andando com o seu antigo amigo José numa rua molhada pela chuva de verão. Bons tempos aqueles.
- Pois é, cara, o Timão tá numa boa fase. Espero que terminem o ano assim.
O velho, agora jovem, não sabia o que falar, não lembrava do que falavam, provavelmente era futebol. Tentava puxar a memória para a época que era jovem, tentando lembrar da situação do time do amigo. Andavam, José falando sozinho. Entraram numa rua escura, onde José morava. Encontraram um maço de cigarro e um palito de fósforo novo jogados no chão, o maço continha apenas um cigarro.
- Um cigarro... Meu pai já me ofereceu, mas eu nunca fumei. Será que é bom?
O velho teve terror ao ver o cigarro.
- Tá afim de provar? - Perguntava José.
Já sabia a resposta dessa questão que acabaria com a vida dele, caso ele aceitasse.
- Não.
A cena original era do jovem pegando o cigarro e fumando seu primeiro cigarro, enquanto José olhava. Depois disso, começou a fumar escondido até os dezoito anos. Agora a cena se inverteu.
- Se não vais experimentar, acho que eu vou... - Disse José.
Ele pegou o maço, tirou o cigarro, e acendeu o fósforo. Começou a fumar.
- Caramba, é... Estranho. - Começou a tossir um pouco, e voltou a fumar. Terminou de fumar.

O velho voltou-se a sentir-se velho, voltou pro corredor do além, onde começou a ouvir a mesma voz que ouvira da outra vez.
- Parabéns, maldito. Não começou seu vício, graças a esse dia, nunca encostou em um cigarro.
O velho ganhou voz.
- Mas ainda estou morto... Se não tivesse me impedido de fumar, não estaria vivo?
- Estaria, meu amigo. Mas fizeste José fumar. Olhe o que aconteceu.
O velho fechou os olhos, e começou a ver cenas de José. Nelas, José fumava muito, escondido. Com quinze anos, queria algo mais forte. Começou a fumar maconha e cocaína. Depois, apelou para outras drogas mais fortes, e então, foi iniciado ao tráfico de drogas. Precisava de cada vez mais dinheiro para arcar com as dívidas com outros traficantes, e sempre pedia ao seu grande amigo, que sempre lhe dava o quanto precisava. Mas um dia, o amigo de José negou-se a dar o dinheiro, precisava muito, pois estava passando por um período financeiramente complicado, negando isso, José insistiu, mas não conseguiu, então, sacou uma arma e atirou três vezes contra o peito do seu amigo.
- Por ter deixado seu amigo José começar a fumar, ele virou um traficante, conseqüentemente, começou a precisar de dinheiro, você sempre deu a ele quando ele pedia, mas um dia, você negou, e assim você morreu.
- Mas não pode ser assim... Me dê outra chance!
- Já te dei mais uma chance. Apenas mais uma, foi isso o combinado. Agora, vamos achar um lugar pra você e para seu amigo José no inferno.

Essa estória tem uma moral: sempre que puder, salve o próximo, pois um dia ele pode se perder e te matar.